André Simões

João Victor Oliveira

Tatiana Russo

O que é o design Thinking?

O design thinking tem como propósito solucionar problemas do aluno, é preciso entender o problema, organizar as ideias para solucionar o problema. Entender o aluno, definir quem é essa persona por meio do mapa de empatia, e identificar as etapas que ele passa até chegar o curso ( jornada do usuário) para entender possíveis problemas de acesso ou evasão.

O Design Thinking (DT), também conhecido como aprendizagem investigativa que se sustenta pelos pilares: empatia, colaboração e experimentação. É uma ferramenta que a maioria dos professores utilizam sem perceber. Desde o momento em que se planeja uma aula, principalmente no que concerne a atividades para fixar alguns conhecimentos utilizando determinados fundamentos. Sendo possível também para que o aluno possa realizar alguma atividade em que ele esteja colaborando e trazendo a responsabilidade daquele desenvolvimento para ele. Existem diversas formas de inserir o DT.

Como entender o usuário?
Para entender o aluno é preciso ter um facilitador/ professor, o papel dessa pessoa é, de forma geral, ajudar a alinhar o processo e fazer com que a equipe/ turma prossiga pelas etapas corretamente.O mapa de empatia permite você identificar os sentimentos, pensamentos, dores desse aluno e somente com essas informações é possível traçar uma estratégia de solução do problema. Além disso, a jornada do usuário, no caso da ead é essencial para entender as etapas que o aluno passa até chegar ao conteúdo do curso e quais seus sentimentos ao longo desse caminho.

Quem é a nossa persona persona?
A persona é a humanização do perfil de usuário/ aluno ideal, podendo haver mais de uma persona, é preciso identificar o sexo, a idade, valores, preferências. Com a persona definida teremos um olhar direcionado para quem iremos entregar nossa solução.


Mais que teoria e conceitos é importante conhecer exemplos práticos!

Vejamos alguns desafios:

  1. Qual problema temos hoje?
    O desafio do ensino remoto emergencial!
    Como podemos aprimorar as possibilidades dessa educação?
    Macro – Como estamos conectados? | Como eram as nossas relações?
  2. O que eu posso aprender?
    Olhar o MACRO – MICRO – PLANEJAR
    Contexto geral – Contexto específico – SOLUÇÃO

    Aluno é o protagonista!
  3. Quais são as oportunidades e as ameaças?
    Oportunidades
    manter vinculo com o aluno
    não interromper o trabalho pedagógico que vinha sendo feito
    aprender algo novo
    aprender sobre cidadania digital
    Ameaças
    Conexão dos alunos é ruim, acesso restrito a internet
    dispersão desses alunos / motivar/ engajar
    excesso de atividade dos pais ( trabalho + auxiliar as atividades escolares)
  4. Pessoas envolvidas – Quem são meus alunos?
    Faixa etária/ nível de ensino
    Sabe trabalha em grupo
    Consigo diversificar atividades? Como eles estão se sentindo?

    Quem são os pais?
    Posso contar com eles? Eles têm equipamentos adequados para o filho estudar? Eles tem interesse em participar do estudo e receber mensagem da professora?

    Quem sou eu PROFESSOR nesse momento?
    Qual foi a ultima vez que eu aprendi algo de forma remota? Como eu me senti? O que eu gostei? Que talento eu tenho para oferecer aos alunos uma aula mais dinâmica? Quais são meus medos, receios? Será que outros professores também estão assim?
  5. Ideias
    Visita a museu – história

    Os maiores tem um canal – Criativos da Escola – vídeos com projetos premiados de crianças e jovens.

    Webquest – criar conteúdo com os alunos por email, não precisa estar online, ele é um suporte para criar projetos criativos.

    Para os pequenos fazer um  “homequest”  – link conexão planeta.
    Criar uma trilha de aprendizado dentro de casa, a partir de coisas acessíveis em livros, TV, situações domésticas.

    O professor pode mandar áudio, texto pra família ler junto, criar um dicionários das palavras novas.
  6. Experimentar

O que faz sentido dentro do contexto dos meus alunos?
O que eu posso cocriar com os outros professores?
Como todos podemos sair + consciente?

Essa é a estrutura de Design e se deu certo, aplicou experimentou, maravilha!
Senão tudo é aprendizado, começa a sequencia outra vez
Identificando o desafio
Entendendo o desafio
Identificando as pessoas
Buscando ideias
Selecionando o que se aplica ao seu contexto
Experimentando e avaliando.

Design Thinking em laboratórios

Como forma de ilustrar é interessante utilizar exemplos de sua aplicação para que algumas reflexões possam ser feitas.A aplicação dessa ferramenta em aulas de química auxiliaram muito no desenvolvimento de situações de aprendizagem, onde foi apresentado alguns problemas como forma de engajar o aluno para ser protagonista de seu processo de aprendizagem. A situação problema era:

Uma empresa de fabricação de produtos químicos precisa desenvolver um processo para obtenção de um produto denominado sulfato de cobre penta hidratado, utilizando aparas de metais obtidas em ferros-velhos e cooperativas. A intenção dessa empresa é de aproveitar retirando do meio ambiente, um metal que venha a causar impactos ambientais. Dessa forma ele precisa que um grupo de aprendizes auxiliem nesse projeto.

Após ouvir as dores do cliente os alunos iniciaram diálogos para entender o problema e como ajudar na resolução desse desafio. Os alunos foram divididos em grupos e após uma semana foi solicitado os meios possíveis para resolverem esse desafio. Em um total de 4 grupos, trouxeram algumas possibilidades e então foi solicitado que escolhessem uma solução e depois realizassem o planejamento. Assim, depois de ser explicado e verificado, por eles mesmo, a operacionalização, foi iniciado a atividade “de mãos na massa. Após algumas tentativas realizadas, com momentos de frustração sendo revistos os pontos de melhoria, finalmente o objeto de aprendizagem foi entregue. As experiências adquiridas por eles foram ricas pois se sentiram responsáveis pelos projetos e inclusive faziam fora do horário escolar, pois precisavam entregar os produtos. Além disso eles puderam   reconhecer a iniciativa como característica fundamental com isso entenderam o requisito de um bom profissional, além de demonstrar atitudes éticas nas ações e nas relações profissionais e principalmente tiveram o sentimento de competência e pertença.

Quem nunca se deparou com aquele velho problema que parece nunca ter solução? Quantos de nós olhamos para nossos cadernos de faculdade e não sabemos o que fazer com eles, na sala de aula? 

Não existe solução fácil para o que é complexo, mas formular bem nossos problemas já é parte da solução. 

Foi pensando nisso que passei a mobilizar os recursos que eu tinha, com os desafios da Educação Pública, para ensinar História. Uma tarefa difícil, contudo, profundamente necessária. Para isso, foi preciso não só falar dos problemas que enfrento, mas tentar encará-los. 

O Design Thinking é uma dessas formas de encarar nossos problemas. A começar, pela transformação das nossas formas de pensar. Afinal, não é isso que tentamos fazer no dia a dia de nossas escolas? 

Podemos mobilizar o Design Thinking para ajudar nossos estudantes a pensarem historicamente. Partimos de situações simples até alcançarmos níveis maiores de sofisticação. Imagine, por exemplo, trocarmos aquela velha prática de decorar nomes, fatos e grandes heróis, pela busca em propor soluções para nossos problemas particulares ou sociais? Quais são os desafios que enfrentamos no âmbito social, para os quais podemos prototipar soluções, por meio da investigação e do letramento histórico? 

Dessa pergunta emerge uma constatação: é possível fazer das nossas salas de aulas lugares de criação, inovação, partilha, em que a própria vida e experiência se tornem matéria de aprendizagem. 

Por isso mesmo, a experiência visual, tática e estética podem ser bons aliados nesse processo. 

Que tal um óculos de conceitos históricos? Como podemos ensinar nossos alunos a mobilizarem os conceitos históricos tanto na análise de fontes históricas, quanto do mundo social? A ideia surgiu desse desafio. De modo a levar os estudantes a entenderem que os conceitos são, antes de tudo, lentes e formas de analisar o mundo social, construímos óculos feitos de origami. Aliando rigor teórico relacionado ao uso dos conceitos e ludicidade, sempre que precisamos mobilizar conceitos, durante as aulas, peço para que os alunos peguem seus óculos, assim podemos ver dados novos, que só a análise histórica nos oferece. Além de tudo, eles se divertem com o famoso “óculos da lacração”…. papo para outra conversa! Vamos a outra ideia. 

Como podemos ensinar todos alunos a interpretar diferentes pontos de vista? Saber formular a pergunta é essencial. Olha o Design Thinking aí…. Ao invés de perguntar: “Como você pensa….?” Que tal perguntar: “Desse ponto de vista, o que podemos pensar….?.”. Essa atividade é inspirada no Project Zero, de Harvard que desenvolveu várias Rotinas de Pensamento para desenvolver as formas de pensar dos nossos estudantes. Tudo gratuito e online. 

Na ausência de recursos financeiros para bancar visitas aos alunos, propus para que eles construíssem um museu. Foi assim que nasceu a ideia do “Museu de Memes”. Por meio desse projeto os alunos puderam aprender noções de museografia, comunicação museal, seleção e expografia, entre outras habilidades. A ideia foi inspirada no museu virtual de memes da Universidade Federal Fluminense.

Finalmente, por que não pensar onde eu quero chegar, para depois selecionarmos quais conteúdos ensinar para chegar nesses objetivos? Essa é a proposta do Backward Design, um planejamento de trás para frente, que leva em conta as habilidades e competências como objetivos principais de aprendizagem, para além do enfadonho conteudismo. Isso não significa abandonar os conteúdos, mas torná-los significativos para as múltiplas aprendizagens dos nossos estudantes. 

Essas são algumas ideias que podemos explorar com base no Design Thinking. Partindo sempre de situações-problemas ou projetos que nos ajudem a pensar e mobilizar as ferramentas da aprendizagem histórica (como também de outras áreas). Os desafios que nós, professores, enfrentamos também podem ser material para o desenvolvimento da criatividade de nossos estudantes: Seria possível uma aula sem pincel? Como nossos estudantes resolvem esse problema? Este é um bom começo para despertarmos em nosso alunos suas mais autênticas capacidades criativas! 

Devemos lembrar ainda que as formas de pensar não são isentas dos compromissos ético-políticos que a Educação tem de maneira geral, e a educação histórica, em particular. A criatividade, a inovação, e o design, contudo, não podem reduzir, nem substituir os esforços coletivos e comprometidos com o investimento em Educação, seja por meio de políticas públicas eficientes, seja por meio da melhoria das carreiras e condições do trabalho docente em nossas escolas. Um tema tão urgente quanto a aprendizagem dos nossos estudantes! 

Ainda assim, a experiência do sensível nos humaniza para nossas relações sociais mais autênticas. A aula pode ser esse espaço de experimentação do mundo, sem que isso signifique artificializar nossas relações com ele. Nela, afetam-se todos os que partem em busca de outro mundo possível. Por isso mesmo, pensar é fazer, é atuar no mundo. Afinal, “não há nada mais prático do que uma boa teoria”.

Atenção: Todas as imagens deste artigo foram criadas por Tatiana Russo.

Autores:

Sou Graduado em Química e Licenciatura em Química pela Universidade do Grande Rio (2004) com Especialização em Polímeros pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2006) e mestrado em Química pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2007). MBI (Master Business Innovation) em Manufatura Avançada em Indústria 4.0 (2018). Também possuo formação em Especialização em Pós-Graduação Docência na Educação Profissional e Tecnológica e Gestão Ambiental (2017). Atualmente leciono como Professor da Faculdade SENAI-Cetiqt nas disciplinas de Química e Materiais no curso de Engenharia Química Possuo experiência na área de Engenharia Química, com ênfase em Tecnologia Química, atuando principalmente nos seguintes temas: poliisopreno, Ziegler-Natta, neodímio, catalisadores e misturas físicas com HDPE, fabricação de placas EVA expandidas, peças técnicas de borracha e PVC, Gestão ambiental e Indústria 4.0.

Meu nome é João Victor Oliveira. Sou professor de História na rede estadual de Minas Gerais e mestrando na Linha de História e Culturas Políticas, na UFMG. Desenvolvi pesquisas sobre a história da formação de professores para a educação básica. Pesquiso, atualmente, a história da produção do conhecimento histórico e a relação entre ensino e pesquisa. Tenho pensado projetos pedagógicos interdisciplinares, a partir da BNCC e do Currículo de Referência de Minas Gerais, priorizando as habilidades e competências para o Ensino de História, a partir do Design Thinking e da Pedagogia Queer, dentro de um contexto cheio de desafios, limites e possibilidades, na Educação Pública.

Tatiana Russo
Atuo na EAD desde 2003, ao longo da minha carreira vivi a evolução da EAD, sempre como Designer Instrucional com o propósito de mudar vidas por meio da educação.