A tecnologia já vem a acompanhar este crescimento económico, social e político como sustentação alicerçada numa fonte que é alimentada pela (eletricidade, na sua base). Toda a tecnologia depende desta fonte de alimentação para poder “existir” ou “respirar” e esta é produzida por elementos existentes no nosso Planeta (logo, há que primeiramente garantir que este avanço não afete ou esgote a principal fonte de alimentação – a energia elétrica de (obviamente apostando na energia sustentável), atendendo que as energias não renováveis já revelaram demasiado estrago em todos os aspetos (à exceção do aumento do “poder económico” de certos países)).

A tecnologia é uma FERRAMENTA que foi e é criada para servir o Ser Humano em todos os campos da sua vida, ou pelo menos assim o deveria ser.

A tecnologia serve o homem e não deverá fazer dele seu escravo.

Humanidade e tecnologia

Tal como o Humano começou a criar os seus próprios instrumentos de trabalho desde a era primitiva. Contudo, o avanço astronómico da tecnologia (aparelhos, funções, dispositivos, aplicações, plataformas, entre outros) é uma consequência de um investimento imensurável por parte das entidades que “governam o mundo” e que “de certa forma o controla”. Este crescimento é alimentado pela disponibilização de recursos às massas (telemóveis, ipads, computadores portáteis, enfim…aparelhos que foram projetados por empresários para ter um custo bastante acessível e assim “conquistar” a população mundial, (oferecendo plataformas de conhecimento, de interação social e de entretenimento, (refiro que estes são exatamente 3 formas de conquistar o domínio e o poder sobre o outro  – dar-lhe a noção de que “sabe” e é “detentor do conhecimento”, fazê-lo sentir-se integrado, sentimento de pertença e aceitação social, e o lazer, divertimento – ( estes são 3 princípios para corromper a mente e o coração humanos). Ora, este fenómeno não é mais do que uma soma de sinais de que a “batalha da tecnologia” (vou chamá-la assim) para conquistar a Humanidade já começou.


Através do “aparente facilitismo” no acesso a tudo e a todos os que vivem no mundo virtual”, associados à palavra “mais”  (mais conhecimento, mais poder, mais opção, mais amigos (ainda que virtuais, ou seja, amigos, conhecidos e anónimos), mais aprendizagens, mais poder de compra (no acesso a outros mercados online de outros contextos culturais e geográficos), mais facilidade em pagar contas, mais facilidade em aceder aos serviços, em geral, aceder a bancos,  a palavra “mais“, por sua vez vem ativar no humano o Ego, onde reside a “ambição”, sendo muito pouco auto-controlada quando não é dado o espaço de flexão , introspeção e análise da direção ou do rumo de vida que está a ter (destaco que estas ações são feitas quando há uma paragem para auto-reflexão, pensamento, um momento de si para consigo próprio!). Em que “novo mundo” está a emergir o Ser Humano? (Isto porque viver no mundo real, onde o relógio define 24 horas por dia – separadas essencialmente pelo tempo de repouso e o tempo de atividade (dia e noite…de uma forma básica), o mesmo não acontece  no mundo virtual, porque não há essa limitação  – a noite e o dia na virtualidade não existem. Pois cada acesso, está à distância de um botão ou de um clique, ou de um simples impulso pessoal, (que pode ser baseado no interesse, ou numa atitude já rotineira, viciante e/ou de dependência, como acontece em muitos casos que já se tornaram clínicos). Com isto quero dizer que a Realidade entre estes dois mundos é totalmente oposta – um é real, outro é virtual. (Esta questão abre portas para a discussão sobre o que é a realidade, no verdadeiro sentido da palavra).

 
O Corpo Humano (dos agentes que criam e produzem material (no sentido lato) tecnológico) tem necessidades fisiológicas que exigem, naturalmente respeito em termos de movimentação (deslocação, contacto com diferentes espaços e superfícies, cheiros, texturas, sons, ambientes reais) uso da fala, prática motora, desenvolvimento muscular, postural, a alimentação, desenvolvimento cognitivo, sensorial, e afins, que COMPLETAM a sua EXISTÊNCIA e dão corpo a uma mente, a um espírito, ou alma, ou chi, ou prana (como preferirem chamar). A componente física de contato com o outro e de interação social presencial é essencial para compor minimamente um Ser Humano são e equilibrado dentro das suas próprias diferenças, dentro da sua própria singularidade (em todos os aspetos da sua vida e da sua própria dimensão física, emocional, mental e social). 
A  existência de um Sistema de Ensino, com todas as suas exigências, a sua calendarização, a sua gestão, por exemplo em termos de carga horária remete à visão de que os alunos e professores (Seres Humanos  – agentes de criação do Conhecimento Digital),  e sendo implementado um novo Sistema baseado nos conceitos de Docência Digital em rede, ao ensino alargado (pré-escolar, 1º, 2º 3º Ciclos , Secundário e Ensino Superior) vem transpor um cenário em que a dimensão do Corpo, acima exposta ficará em grande défice comparativamente com a parte cognitiva. Aqui destaco uma frase do e-book “Educar na era digital”, texto-livro-aberto de Tony Bates, que me deixou extremamente preocupada e revoltada pela crueza em expandir este tipo de Ensino: “…”e cada vez mais em países economicamente emergentes, o componente de conhecimento está crescendo rapidamente: mais cérebro e menos músculo (VER OECD, 2013 a)”.

Ensino híbrido

E no que toca às próprias estruturas arquitetónicas das escolas no caso de haver um Modelo Híbrido, é de salientar que toda a configuração arquitetónica, estrutura, cores, texturas, divisões, e funcionalidades do próprio espaço físico escolar não está na grande maioria dos casos minimamente acondicionado para uma educação para criar seres humanos equilibrados, ditos da nova era.

Ao seguir a sugestão de consulta da OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, criada em 1961 por 38 países (Portugal inclusive) “para estimular o progresso económico e o comércio mundial, democracia, economia de mercado”, verifico que não há presença de questões que abordam as “consequências do uso e abuso das tecnologias pelo Ser Humano”.

Considero grave que a expansão, a disseminação, a propaganda para o recurso às tecnologias (sim porque a Docência Digital em rede, ou o Ensino ´Distância, o Ensino Online, entre outros acontece primordialmente alimentados pela eletricidade) como resposta à situação nova do COVID-19, como forma de transpor o enquadramento da educação de crianças, jovens e adultos (sobretudo Seres Humanos que ainda estão numa fase de crescimento e de dependência, de procura e criação da sua própria identidade consciente, de desenvolvimento dos seus próprios sentidos, os maiores captadores de aprendizagem que pode haver, de explorar o seu corpo, em relação consigo próprio em relação com os outros (família, amigos, professores, sociedade, ) e nos diferentes contextos que estes podem tomar : casa, escola, clube desportivo, escola de música, palco, campos desportivos, etc. Aprendizagens que só existem quando existe a presença de outros Seres Humanos. Falar para uma câmara não é fácil e exige habilidades performativas. Falar para uma plateia também não exige menos. Mas o resultado é outro e o impacto no crescimento e no desenvolvimento é sem dúvida muito superior, dado haver a relação presencial, onde os agentes físicos e energéticos interagem e trocam informação (explícita e subtil) entre si (linguagem corporal, facial, tom, postura, etc… que naturalmente revelam informações acerca da fonte onde está a ser emitido o conhecimento, ou melhor como está a ser transmitida a informação (pois a paixão pelas palavras e pelas mensagens vivem muito da fonte que as emite  – o Ser Humano, ao contrário de um “chatbot”).

Com esta abordagem simples, venho demonstrar a minha preocupação por esta tentativa de implementar o uso das tecnologias como forma basilar de um novo paradigma de docência, estendido às crianças e jovens em idade escolar.

Patologias

Quero acrescentar ainda as patologias que podem advir do uso abusivo dos computadores, tablets, telemóveis, rato, e outros – que estão a ser subestimadas e postas de parte, e que na minha opinião são o outro lado que pode comprometer sim a nossa espécie humana!

Questões associadas à ansiedade surgem já em idades cada vez menores. Faço um parêntesis para um aspeto que me chamou à atenção –  já num paralelo curioso com autor do e-book “Educar na era digital”, texto-livro-aberto de Tony Bates passo a citar: “(…) público-alvo professores de faculdades e universidades ansiosos em melhorar (…), para outros professores, (…) ou escolas de ensino médio ansiosos para garantir (…) a professores e instrutores ansiosos para usar a tecnologia da melhor forma possível no ensino. Questiono-me se a ansiedade é por usar a tecnologia? Ou se é por inovar? Ou se é por obter resultados diferentes, independentemente de terem de recorrer à tecnologia? E se a obtenção de resultados melhores não implicasse o uso intensivo das tecnologias? O que são afinal resultados melhores? (Trabalhar com mais eficácia, mais rápido, e de preferência com menos custos para manter o nível de desenvolvimento do país na linha ascendente…)

A ansiedade, o stress, são a origem manifesta de muitos desequilíbrios da pessoa, de muitos distúrbios que se geram quando esta está em desequilíbrio (na relação corpo–mente-espírito). Há um crescendo de problemas muito graves no desenvolvimento afetivo, cognitivo e social da criança e não só, (não expressam publicamente os seus sentimentos, isolam-se nas casas, evitam contato físico),os comportamentos agressivos, a falta de apetite,  a perda da noção da passagem de tempo (noção de dia, tarde e noite, porque estão sempre em frente a um ecrã luminoso, e não estão em contato com o meio ambiente que os rodeia). Desencadeiam-se quadros propícios à epilepsia, que causa danos cerebrais, convulsões, exaustão mental. Problemas do foro ocular, e auditivo (no caso da utilização de auscultadores, e com estes o alheamento da realidade física e sonora em que está inserido. Problemas mentais, cognitivos (confusão), perturbação do sono, insónia, problemas psicológicos (falta de autoconhecimento, dificuldade em agir e interagir no espaço real com objetos e com outras pessoas), problemas oculares, problemas do foro ortopédico posturais, cervical, lombar, cabeça, braços, mãos, tendões, ombros e costas. Problemas nos membros inferiores, pés, pernas e ancas dada a posição de sentado durante a utilização das tecnologias (entre outros). Sedentarização e obesidade (dois portais para múltiplas doenças cardiovasculares e motoras)

O homem e a natureza

Além destas questões, venho adicionar o facto do ser humano ter a capacidade de interagir com os campos eletromagnéticos produzidos pela tecnologia. Esta interação, infelizmente não é bilateral na mesma proporção, pois um corpo humano pode reagir de diferentes formas ao impacto destes campos eletromagnéticos (no entanto são sempre drenantes da sua energia vital).  Disciplinas como a Geobiologia, a Radiestesia, a Física e a Física Quântica vem cada vez mais cientificar o conhecimento de que Homem é constituído por energia, tal como tudo o que existe no mundo. Sendo que a tecnologia emite quantidades absurdamente elevadas de frequências nocivas, que podem levar à produção de células cancerígenas no Homem que está sempre exposto a estas.

A tecnologia tem vastos benefícios e é sem dúvida um pilar da humanidade, mas não podemos esquecer que neste plano terreno os outros pilares são o Homem e a Natureza. Assim, o tetraedro que apresentaria não como modelo pedagógico, mas como modelo para a vida seria este: na base e em interação o Homem, a Natureza e a Tecnologia; e acima… (eu chamo Deus…porém deixo à consciência de quem está a ler).    

Sofia Correia 16/06/2020

(Tempo só para escrita em frente ao computador: 6 horas)

Imagem de ongchinonn por Pixabay

AUTORA:

Sofia Correia

 Nasceu e vive na Madeira – Funchal. Estudou em Colégios Católicos, fez Secundário numa Escola Pública, Estudou o curso “Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico, exerceu docência na Escola Salesiana de Artes e Ofícios. Foi professora de Apoio à Expressão Musical e Dramática ( num colégio e em 3 escolas públicas, trabalhou com o pré-escolar e o 1º ciclo na área das Artes: Dança, Música, Instrumental Orff, Canto Coral e Expressão Dramática /Teatro). Estudou Feng-Shui na Escola Nacional de Feng shui, é consultora e estudante do Pensamento Metafísico Oriental (Medicina Tradicional Chinesa, QiQong, BaZi, Ki ). Trabalha atualmente na Equipa de Animação da DSEA, no âmbito da criação de Teatro de fantoches e marionetas, de raiz pedagógica atuando nas escolas da RAM e noutros eventos culturais. Toda a vida integrou grupos de música, área que surgiu aos 8 anos da sua vida. Sou mãe há 10 anos! É leitora compulsiva. Livro atual: Leonardo da Vinci, por Walter Isaacson.