Esta foi a questão que utilizei para desafiar os alunos do ensino médio, no início de um ano letivo.


Nem todo aluno é estudante, você sabia disso? De acordo com o Professor Pierluigi Piazzi, aluno é aquele que assiste aulas, já estudante é o que estuda. O aluno tem uma participação passiva, enquanto o estudante é o sujeito, o protagonista do seu processo de aprendizagem. Esse conceito me fez refletir sobre a falta de dedicação aos estudos, por parte dos alunos e o quanto isso poderia atrapalhar as suas conquistas futuras.

Imagem: Arquivo pessoal

Para um melhor entendimento, segue um breve relato da experiência:


Em 2013, eu atuava como coordenadora pedagógica do ensino médio de uma escola localizada na região metropolitana de Belo Horizonte/MG. Tal instituição fazia parte de uma grande rede de ensino no Brasil e seu resultado estava entre os piores dessa rede, no Estado.


Foi um ano difícil e desafiador, pois apesar da equipe pedagógica, da qual eu fazia parte, juntamente com professores e coordenadores, se esforçar na adoção de diferentes estratégias e metodologias, as mudanças, quanto ao desempenho dos alunos, nunca eram percebidas. E isso, não apenas considerando as notas, mas também em relação à atitude, comportamento, comprometimento e responsabilidade, enquanto vistos como estudantes.


Depois de muita observação, coleta de dados e reflexões, a equipe pedagógica concluiu pela necessidade do desenvolvimento de ações específicas e interdisciplinares que buscassem uma maior conscientização e mudança de postura, tanto por parte dos educadores, quanto dos educandos.

A conclusão era que a escola não precisava de alunos, mas sim, de estudantes!


E foi nesse momento que o nasceu o projeto “Seja um ótimo estudante”, que implantado no primeiro dia do ano letivo seguinte, trazia no seu bojo a organização e a definição de papéis/funções para todos os envolvidos, além dos seguintes objetivos:


✔ Promover uma mudança de hábito dos alunos em relação aos seus estudos, de modo que entendessem que deveriam atuar como protagonistas do processo de aprendizagem;
✔ Fazer com que os alunos estabelecessem objetivos e tivesse mais foco e concentração;
✔ Buscar métodos de estudo que contribuíssem para aprendizagem;
✔ Explorar e respeitar as diversas formas de busca da aprendizagem;
✔ Criar oportunidades culturais e de lazer para os estudantes, tornando seus estudos mais prazerosos;
✔ Envolver toda a equipe pedagógica, professores, alunos e familiares na luta pela transformação dos alunos em estudantes;
✔ Alcançar resultados positivos nos diferentes processos avaliativos, internos ou externos.

Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa,
nunca tem medo e nunca se arrepende”.

Leonardo da Vinci


Com base nos objetivos definidos para o projeto, foram planejadas e preparadas ações interdisciplinares, buscando incentivar o protagonismo estudantil. E, seguindo um cronograma de atividades, a cada etapa concluída, os estudantes eram reconhecidos e presenteados com bótons, cujas artes eram criadas pelos próprios alunos da escola.

Nesse contexto, faz-se importante mencionar que os critérios estabelecidos, não levavam em consideração somente melhores notas, mas também os resultados obtidos nas ações realizadas enquanto estudantes. E tudo isso, contando sempre com o cuidado da equipe pedagógica em considerar as múltiplas inteligências e encorajar cada aluno a identificar seus pontos de melhoria e vencer suas dificuldades.


Dentre as atividades que foram desenvolvidas, vale destacar:

  • Palestra com depoimentos de estudantes (ex-alunos da escola), que obtiveram êxito acadêmico;
  • Aplicação do teste “SOU ESTUDANTE ou ALUNO?”
  • Concurso de frases, fomentando a discussão que distingue um estudante de um aluno;
  • Palestra com o Professor Pierluigi Piazzi, para alunos, pais e professores;
  •  Confecção da cápsula do tempo por alunos e professores;
  • Atividades e ações interdisciplinares;
  •  Comunicação frequente com as famílias, dicas leituras e orientações.
  • O resultado foi um sucesso!

O projeto não só teve a aderência dos docentes, dos discentes e respectivas famílias, como passou a fazer parte da rotina escolar da instituição, sendo avaliado e readaptado, em processo de melhoria contínua, em cada um dos anos seguintes.


E deixou um grande legado! Uma mudança de cultura que elevou os resultados da escola ao patamar dos melhores do Estado, gerando, como consequência, uma grande visibilidade e procura pela escola da cidade.

Dicas de leitura


Para terminar, a título de referência, cito livros do Professor Pierluigi Piazzi utilizados no projeto, com os alunos, pais e professores:

PIAZZI, Pierluigi. “Aprendendo Inteligência: manual de instruções do cérebro para alunos em geral”. 2.
Ed. rev. São Paulo: Aleph, 2008. Coleção neuropedagogia. Vol. 1.
PIAZZI, Pierluigi. “Estimulando Inteligência: manual de instruções do cérebro de seu filho”. 2. Ed. rev.
São Paulo: Aleph, 2008. Coleção neuropedagogia. Vol. 2.
PIAZZI, Pierluigi. “Ensinando Inteligência: manual de instruções do cérebro de seu aluno”. 2. Ed. rev. São
Paulo: Aleph, 2008. Coleção neuropedagogia. Vol. 3.

AUTORA

Eluine Duarte Ribeiro, pedagoga com pós-graduação em psicopedagogia. Profissional apaixonada pelo processo de educar, que faz do desenvolvimento de pessoas a sua missão de vida, buscando
contribuir para que alcancem crescimento e sucesso pessoal/profissional, como um propósito que a
deixa verdadeiramente feliz.