Em dezembro de 2019, o mundo foi surpreendido por um vírus silencioso: O COVID-19. O vírus se espalhou mundialmente, fazendo com que muitos países entrassem em quarentena.

Devido a essa quarentena, milhares de pessoas tiveram que se distanciar socialmente para diminuir a curva de contágio do Coronavírus, levando assim docentes e alunos de todo o mundo a se recolherem em suas moradias. No Brasil, tal medida passou a vigorar a partir de meados de março e início de abril de 2020, por meio da Portaria 343/ 2020 do Ministério da Educação e da Medida Provisória 934/ 2020.

A suspensão das aulas na maioria das escolas, pôs em evidência outras questões não recentes acerca do ensino brasileiro, porém latentes e reveladoras das desigualdades que atravessam o processo de ensino e aprendizagem.

Ainda que com o advento das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TIDCs), é ilusório afirmar que há um acesso massificado aos cidadãos brasileiros, assim como o instrumental necessário para se lecionar e aprender por parte dos docentes, alunos e pais.

Escolas públicas e escolas particulares

Enquanto, boa parte das escolas  particulares, adaptaram-se rapidamente a este modelo educacional, por meio do ensino remoto, com aulas interativas e até mesmo com grupos de WhatsApp para envio de materiais de estudo. Por outro lado, a rede pública de ensino mostrou-se lenta e difusa em suas ações, com algumas instituições aderindo a esse modelo, outras com a  suspensão completa das aulas e outras com o ensino híbrido, com a disponibilização de materiais físicos, teleaulas e chats para conversas com os professores (esse último no Estado de Minas Gerais).

Não é difícil perceber o abismo entre o ensino particular e público em nosso país, especialmente na educação básica, no qual há indivíduos com acesso ao ensino por meio de mídias tecnológicas e já outros ficam à margem devido a escola a qual estão matriculados, ou até mesmo ao local onde residem, por não ter sinal de internet ou de TV.

Para além da questão do acesso às aulas e materiais, é necessário refletir sobre as condições docentes e discentes neste contexto pandêmico, tendo em vista que as formas de se ensinar e aprender alteraram-se drástica e rapidamente.

O que observa-se é que os docentes têm enfrentado todo o tipo de dificuldades para transporem a sala de aula física para a sala de aula virtual, podendo-se destacar: ausência de habilidades relativas ao uso das TIDCs e de treinamentos anteriores ou cursos para tais fins, não disponibilização das escolas dos insumos necessários para boas produções, absenteísmo dos alunos e a insatisfação dos pais.

Na rede particular, além das dificuldades elencadas, existe ainda a intensa cobrança sobre o corpo docente para a manutenção das matrículas dos alunos, deixando os professores receosos quanto ao seu futuro profissional e empregatício, além do desgaste emocional.

Os desafios das famílias

As famílias também precisaram se reinventar, reorganizarem seus cotidianos para lidarem com a presença integral dos filhos em casa. Os pais precisaram exercer um papel no qual não estavam acostumados, como delimitar e organizar os tempos e conteúdos de aprendizagem outrora realizados pela escola. Obviamente, tal adaptação não está ocorrendo sem conflitos entre as expectativas das famílias e alunos e as das instituições escolares.

Ante tal situação, sem previsão de retorno ao contexto presencial, é urgente pensar meios para ensinar e aprender que se adapte à realidade posta. E, dessa forma, professores, alunos, pais, secretarias de educação devem unirem esforços para que o aprendizado das discentes não fique comprometido.

Formação dos professores

Da parte dos professores, a fruição no universo virtual faz-se imprescindível, tendo em vista que seja em escolas privadas ou públicas, o uso das TIDCs vai perpassar o ensino em modo remoto. Assim, a busca por formação continuada nessa temática torna-se uma alternativa para a elaboração de aulas atrativas e significativas aos alunos.

No atual contexto, não há mais como ignorar a importância das TIDCs como elemento facilitador da aprendizagem, como foi possível até o distanciamento social. Todavia, não podemos nos esquecer que cabe (ou caberia) às instituições escolares a disponibilização dos insumos, como internet, computadores e celulares para essa empreitada. 

Os alunos, do mesmo modo que os pais, devem tomar ciência de que a realidade mudou, não há como a aprendizagem funcionar como antes nesse momento. A necessidade do engajamento dos pais no processo de ensino e aprendizagem torna-se mais evidente, não podendo mais delegarem apenas à escola esta função.

Às secretarias de educação, assim como algumas universidades federais, devem e já estão proporcionado cursos de formação continuada no formato EaD para auxiliarem os docentes. No entanto, mesmo com a disponibilização de tais cursos, ainda esbarramos na questão da ausência ou precariedade de acesso tecnológico, que é a realidade de muitos professores. 

Diante disso, faz-se urgente a implantação de políticas públicas que possibilitem os insumos e um acessso virtual de qualidade. Tendo em vista que essa situação entrará para a história e a educação já está sofrendo uma grande mudança. Sendo necessário ressignicar a ato de ensinar e aprender, uma vez que na conjuntura atual, não há como esquivarmos do uso das TIDCs para a manutenção da aprendizagem e a tentativa “normalidade” do cotidiano escolar.

AUTORAS

Beatriz Lopes Falcão

Mestre em Educação, Especialista em Uso Educacional da Internet, Professora no curso de Pedagogia da Faculdade Santa Rita (FaSar).

Dayana Caroline de Paula Rocha de Oliveira

Graduanda do 7º período de Pedagogia da Faculdade Santa Rita (FaSar). Professora na Educação Infantil e Fundamental I na rede particular de Minas Gerais.