A escola pouco evoluiu nos últimos 150 anos e nesse tempo os avanços tecnológicos e culturais foram enormes; o desafio atual é adequá-la à cultura dos dias de hoje. Cada estudante tem o seu próprio estilo e ritmo de aprendizagem e são necessárias várias estratégias centradas nas habilidades de cada aluno para que ele adquira o conhecimento. Portanto, aulas centradas na transmissão de conhecimentos não favorecem a todos os estudantes.

Atualmente, inovação é uma das palavras-chave e a educação precisa se adaptar para responder às necessidades desse mundo hiperativo e hiperconectado. Frente a esse desafio, a tecnologia surge como aliada para impulsionar uma educação disruptiva que necessita de diferentes abordagens para aprendizagem.

Em tempos de pandemia, abandonamos as salas de aulas presenciais e fomos jogados num ambiente digital, onde as nossas práticas tidas como tradicionais não podem ser aplicadas como estávamos acostumados. Isso gerou a necessidade de adequação de nossas práticas.  Os momentos presenciais das aulas passaram a acontecer dentro de plataformas virtuais estimulando novas dinâmicas relacionais. Quando estamos conectados aos estudantes de maneira síncrona através das tecnologias digitais podemos promover a otimização desse tempo para melhorar a produtividade. A utilização das tecnologias também nos dá acesso à recursos educacionais importantes, facilitando a coleta de dados computacionais durante as dinâmicas quase em tempo real e avaliações diagnósticas, somativas ou formativas dos nossos estudantes. Essas informações nos permitem adaptar nossas abordagens pedagógicas.

Abaixo listamos algumas ferramentas que auxiliam nesse processo:

O Kahoot!

É uma ferramenta que permite avaliação do entendimento dos estudantes sobre o tema que usamos após seminários ou comparando o ganho de conhecimento em pré-teste e pós-teste em diversas disciplinas.

Uso do Kahoot! para fazer pré-teste e pós-teste

Moodle

Diversas plataformas permitem que se crie repositório para disponibilizarmos conteúdos para os estudantes acessarem quantas vezes quiserem e estudarem no seu tempo, como por exemplo, o Moodle. Isso facilita o acesso dos estudantes de forma remota às aulas para se prepararem para os nossos encontros presenciais.

Uso do Moodle para disponibilizar os conteúdos

Miro

Nos encontros presenciais de forma remota, podemos propor atividades que considerem a participação de todos, propondo conversação, promovendo a colaboração onde as dúvidas surjam a partir da prática desenvolvida nas dinâmicas. Um exemplo é a técnica de tempestade de ideias (braisntorming) utilizando o Miro.

Uso do Miro para realizar tempestade de ideias (braisntorming)

Estamos vivendo um momento ímpar na história da nossa Educação. Hoje, podemos desenvolver um ambiente escolar onde o ensino presencial e on-line se complementam. É possível que pós-pandemia, não tenhamos mais uma educação só presencial, mas um misto de momentos presenciais e momentos on-line, a distância.

Assim, podemos aproveitar essa oportunidade que emerge na nossa sociedade para adaptar nossas práticas pedagógicas para este contexto. Podemos começar por aceitar que o aprendente é o ator principal do seu processo de aprendizagem com a mudança do papel do professor nesse processo. O professor deve deixar de ser simples transmissor de conteúdos para se tornar agente motivador desses aprendentes. Precisamos abandonar esta abordagem vertical de ensino para interagirmos numa abordagem mais horizontal.

Devemos transformar a escola numa escola com a aprendizagem centrada nos estudantes abandonando a sala de aula centrada nos conteúdos ou nos professores – que até podem usar tecnologia, como quadros brancos interativos, dispositivos móveis, jogos ou ambientes virtuais de aprendizagem. Essa nova escola deve ser inclusiva, onde todos os estudantes têm acesso a dispositivos eletrônicos, conteúdos digitais e programas de forma personalizada através dos seus próprios ambientes pessoais de aprendizagem. Só assim formaremos estudantes preparados para o mercado de trabalho do século XXI, onde competências como criatividade, comunicação oral e escrita, bem como a capacidade de trabalhar em equipe são fundamentais.

Nós somos do Neuroeducation research group – NRG, que se lê EN ER GY do instituto Brasileiro de Neurociência e Neurotecnologia (BRAINN) – e temos como missão realizar pesquisas de ponta e inovadoras com o objetivo de promover experiências ricas e significativas de aprendizagem, além de bem-estar físico e mental no contexto da educação e da saúde.

Referências:

Nunes, Ricardo. Tecnologias para aprendizagem on-line – Ricardo Nunes. 2020. (7m). Disponível em: <https://youtu.be/5VFz607B-Pw&gt;. Acesso em: 26 out. 2020.

Autores

Ricardo Rodrigues Nunes (rnunes@unicamp.br)

Pós-Doutor do projeto Neuroeducação no CEPID BRAINN FAPESP e Professor de Jogos Digitais na Graduação e Pós-Graduação na ECDD do Instituto Infnet.

Douglas Scalambrini (douglasscalambrini@gmail.com)

Licenciatura Plena em História pela Universidade Veiga de Almeida, professor da Rede Estadual de Educação e do Colégio MaV1

https://www.facebook.com/douglas.scalambrini

Lilia Freire Rodrigues de Souza Li (ldesouza@unicamp.br)

Coordenadora do projeto Neuroeducação do CEPID BRAINN FAPESP e Professora Assistente Doutora do Departamento de Pediatria na Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP.

https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/2554/lilia-freire-rodrigues-de-souza-li/