Por Joana Patino


Sente que algo precisa mudar em você, mas não sabe por onde começar. Comece
lendo este artigo.

Você já sentiu que precisava mudar algo e ainda sim, permanecia fazendo
exatamente igual, mesmo que isso gerasse frustração? Por exemplo: você sente que precisa incluir uma rotina de exercícios, mas já acorda com uma xícara de café na mão e o controle remoto da televisão na outra? Ou
ainda, sente que precisa diminuir as horas de trabalho e todos os dias se vê jantando em frente ao computador e praticamente trocando a cadeira do escritório pela cama, pois já é hora de dormir e o seu dia inteiro foi dedicado ao trabalho?

Pois é… mudar os nossos padrões de comportamento pode ser mais desafiador que gostaríamos. E é sobre isso que vamos falar neste artigo. Primeiro, é importante compreendermos que há duas dimensões que nos bombardeiam com gatilhos responsáveis por limitar o sucesso da mudança comportamental: a dimensão interna e a dimensão externa:

  • Na dimensão interna estão os estímulos psicológicos. Ou seja, as nossas crenças limitantes, os famosos sabotadores ou o temido “crítico interno”, que muitas vezes dominam o nosso comportamento e nos paralisam. Ou ainda, o nosso cérebro, que tende a se manter no estado confortável. Mudança significa esforço e comumente tendemos ao estado de inércia, sabia?
  • Por outro lado, temos a influência da dimensão externa, composta por estímulos negativos do ambiente no qual estamos inseridos. Sabe aquela situação cotidiana que por alguma razão “inexplicável” tira o seu equilíbrio ou gera uma raiva desproporcional? Isso é um gatilho! Conseguir enxergar os gatilhos do ambiente e dominar as nossas emoções frente a eles é tarefa fundamental para o nosso bem- estar emocional e consequentemente, nosso estar no mundo de forma mais positiva.

Goldsmith, no livro “O Efeito Gatilho: Como disparar as mudanças de comportamento
que levam ao sucesso nos negócios e na vida”
afirma: se não criarmos e controlarmos nosso ambiente, nosso ambiente é quem vai nos controlar. E nós não queremos isso, concorda?

Constatadas as duas dimensões e seus gatilhos, que podem ter efeito paralisante nas nossas ações. Vamos falar sobre a solução. Porque ela existe! O primeiro passo para a mudança comportamental é a famosa frase que você
provavelmente já ouviu por aí: ninguém é capaz de nos fazer mudar, a menos que queiramos realmente mudar. Pois é! A mudança começa com a sua decisão de mudar!

Tomada a decisão, é importante ter em mente que para você conseguir mudar, se faz necessário ter um método, que se traduz em treino, muita disciplina e mecanismos de controle e medição das nossas atitudes em prol da mudança, além de feedback constante. Mudança comportamental exige autodisciplina e autocontrole.

Com isso em mente, precisamos encontrar meios de sustentar uma mudança significativa através da consciência, bom senso e estrutura. E podemos fazer isso através do uso de ferramentas de autocoaching, que te levam a refletir e agir em direção à mudança desejada. Apresento então duas ferramentas:

A Roda da mudança

A roda da mudança consiste em um exercício mental contemplando quatro ações: criação, preservação, eliminação e aceitação. Vou explicar melhor.
Imagine uma situação incomoda que você está vivendo, ou um novo projeto que você quer ter sucesso, ou ainda, um comportamento que você quer eliminar ou incorporar. A roda da mudança consiste em você se fazer quatro perguntas:

Criação: o que você precisa criar de novo para auxiliar na mudança?

Preservação: que força você tem e que será importante preservar para auxiliar no resultado que você deseja?

Eliminação: o que você precisa eliminar para que você possa alcançar a mudança desejada?

Aceitação: que características/circunstâncias já estão postas e não vão mudar, portanto você precisa aceitar?

Essa ferramenta auxilia você a ter clareza plena sobre o que é preciso manter e mudar para o alcance do resultado desejado. Uma vez que você tem clareza do que precisa criar, preservar, eliminar ou aceitar, recomendo a ferramenta abaixo que te auxilia no monitoramento das ações, pois é apenas com a realização consistente e continuada de uma de um novo comportamento, que este vira um hábito.


As Questões Periódicas e as Questões Ativas

As questões periódicas (semanais ou diárias) são um conjunto de perguntas que você estabelece, e que semanalmente ou diariamente você se pergunta, aplicando uma nota para cada questão, de acordo com o seu desempenho.

São duas as principais vantagens das questões diárias. Primeiro, lhe permite articular o que você quer mudar na sua vida. Segundo, e não menos importante, lhe permite mensurar a constância do seu desejo e persistência das suas ações.

O modelo de acompanhamento das Questões Diárias é muito simples. É uma tabela. Na primeira coluna você vai colocar as questões definidas por você. E nas colunas seguintes as datas. Semanalmente ou diariamente (o que fizer mais sentido para você), você atribui uma nota para cada pergunta na coluna correspondente.

Agora, tem um “pulo do gato” sobre as Questões Periódicas. É importante que as questões sejam formuladas na voz ativa. Veja a diferença: Questão passiva: “Você tem metas claras?” Questão ativa: “Você fez o seu melhor para conseguir estabelecer metas claras para si?”

O autoquestionamento ativo aumenta o senso de responsabilidade. Você é 100% responsável pelos seus resultados! E isso pode disparar uma maneira nova de interagir com o mundo.

Não basta querer mudar, precisamos fornecer estrutura ao nosso desejo de mudança!

Fez sentido para você?

Referência bibliográfica:
Goldsmith, M. (2019). O Efeito Gatilho: como disparar as mudanças de
comportamento que levam ao sucesso nos negócios e na vida. Companhia Editora
Nacional

Sobre a autora:

Joana Patino

Nômade digital, mestre em psicologia, especialista em psicologia positiva, life
designer e mentora de carreira, autora do método “Projete-se: vida e carreira com
sentido”, formadora certificada em Portugal, professora de gestão de pessoas,
palestrante e consultora em Psicologia Positiva.
@joanapatino.carreiras