O assunto que desejo abordar vem inquietando-me há algum tempo. Desde meados da pandemia, um sem número de conhecimentos passaram a ser disponibilizados via internet, tanto em formato EaD como remoto, podendo citar: palestras, lives, webnários, capacitações, aperfeiçoamento, extensão, cursos tecnológicos, complementações pedagógicas, graduações, pós-graduações, dentre outros. Instituições tanto públicas como privadas aderiram rapidamente este sistema no Brasil e a oferta se multiplicou consideravelmente.

Longe de ser um problema ter em mãos a possibilidade de tantos aprendizados, o questionamento que cabe é: será que estamos sabendo lidar com as informações que nos chegam e transmutando-as em conhecimento? Ou estamos seguindo o fluxo sem nos preocuparmos com um aprendizado efetivo e sim com um diploma que ateste um suposto conhecimento?

Em uma era no qual a mutabilidade e a insegurança empregatícia tem sido tão forte a problemática citada é pertinente, pois exige-se cada vez mais saberes para funções antigas e novas no qual não se aperfeiçoar seria como “parar no tempo” e “ceder a vaga” para aquele com o currículo de cursos mais extenso.

E, aos liberais de plantão, digo sem medo: não são todos os brasileiros que têm tino para o empreendedorismo, aliás, arrisco dizer que bem poucos, só verificar nos dados do IBGE o número de empresas que abrem e fecham as portas no período de 05 anos. Os dados não são animadores e após a pandemia estes dados ficaram menos animadores exponencialmente.

Voltado à questão que norteia este artigo: se há vida para tanto conhecimento? Em uma resposta curta é não! Todavia, penso que tudo depende de foco e do que se busca, no entanto não se assuste ao perceber que mesmo se dedicando por anos a fio a um determinado assunto você ainda não o domine totalmente. O processo do aprendizado é assim, as vezes doloroso e imensamente prazeroso e valioso. Vale a pena, posso atestar.

No atual cenário citado no começo desse artigo devemos comemorar, uma vez que finalmente estamos tendo acesso a muitas, mas muitas informações que até pouco tempo atrás era impensável, saibamos aproveitar.

Beatriz Falcão

Pedagoga (UFMG), Especialista em Uso Educacional da Internet (UFLA), Mestre em Educação (UFMG), pós-graduanda em Gestão Estratégica da Inovação e Política de Ciência e Tecnologia (UFT). Professora no curso de Pedagogia da Faculdade Santa Rita – FaSar.